A chuva miúda cai sobre a cidade:
Porto Alegre dorme, descansa entre os amargos montes
Penso que a Praça XV de Novembro parece resistir ao tempo
Vou caminhando, sozinho, entre as arvores
Onde antes existiam flores, onde antes passavam os bondes
Eu era pequeno e JOÃO GOULART ERA PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Existia em cada esquina um armazém cheio de verduras
Um grupo de meninos brincando com bolinhas de gude
Eu acordava de manhã e tomava café preto com torradas
Respirava a vida e dividia essa alegria com meus amigos
E corria, com eles, pelo "pasto comum do ar"
Cumprimentava um velho espanhol de calça larga
E fazendo isso cumprimentava a Espanha
Eu lutava o dia inteiro contra o nazismo e de noite fugia do banho
(Nova Literatura Brasileira - Editora Shogun Arte - 1983 - RJ)
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Prof. Raul
sábado, 10 de novembro de 2012
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
POEMA DIDÁTICO
O
A B C
Não é só
A B C D E F G
Mas também
H I J L M N O P Q
E mais
R S T U V X Z
Não há no ABC
K Y W
A B C
Não é só
A B C D E F G
Mas também
H I J L M N O P Q
E mais
R S T U V X Z
Não há no ABC
K Y W
OUTDOOR
A moça do cartaz
fica deitada na caminha
o dia inteirinho, só de calcinha
E a gente olhando a menina
termina comprando a caminha
só para dormir sonhando com ela
fica deitada na caminha
o dia inteirinho, só de calcinha
E a gente olhando a menina
termina comprando a caminha
só para dormir sonhando com ela
Do livro: POESIAS REUNIDAS de Raul Sallenave - Editora UICLAP.
AMARELINHA
Na calçada, na leveza do ar
Com seu perfume de flor
Ela pula e ria
Ainda mais
E mais por mim
Ou por ela mesma
Vai pulando sem parar
(Publicado no livro Escritores Brasileiros - Editora Crisalis - 1985 - RJ)
Com seu perfume de flor
Ela pula e ria
Ainda mais
E mais por mim
Ou por ela mesma
Vai pulando sem parar
(Publicado no livro Escritores Brasileiros - Editora Crisalis - 1985 - RJ)
OUTRO POEMINHA MOLHADO
Os peixinhos saíram correndo de dentro do mar
Para tomarem banho de chuva na beira da praia
Para tomarem banho de chuva na beira da praia
POEMINHO
voa passarinho, voa sobre as catedrais
voa sobre o bispo, voa sobre o arcebispo
voa sobre os soldados, voa sobre os generais
voa passarinho, voa pequenino
voa livre, voa aberto
voa azul, voa branco, voa leve
voa noite-com-estrelas
voa céu-sem-bandeiras
faz cocô na cabeça dos mortais
voa sobre o bispo, voa sobre o arcebispo
voa sobre os soldados, voa sobre os generais
voa passarinho, voa pequenino
voa livre, voa aberto
voa azul, voa branco, voa leve
voa noite-com-estrelas
voa céu-sem-bandeiras
faz cocô na cabeça dos mortais
EU E A LUA
(As duas faces)
Eu sou como a lua no céu: TENHO DUAS FACES
uma
branca, clara, brilhante
a outra
negra, escura, sem luz
a procura
dos misteriosos RAIOS DO SOL
Eu sou como a lua no céu: TENHO DUAS FACES
uma
branca, clara, brilhante
a outra
negra, escura, sem luz
a procura
dos misteriosos RAIOS DO SOL
PONTO FINAL
- Como vai o seu José?
- Vai bem!
- Como vai o seu José?
- Vai mal...
- Como vai o seu José?
- Morreu.
- Vai bem!
- Como vai o seu José?
- Vai mal...
- Como vai o seu José?
- Morreu.
VELÓRIO
A vela
de cera branca
de ponta preta
de luz amarela
o morto velava
de cera branca
de ponta preta
de luz amarela
somente a vela
de cera branca
de ponta preta
de luz amarela
por mim ficava
de cera branca
de ponta preta
de luz amarela
o morto velava
de cera branca
de ponta preta
de luz amarela
somente a vela
de cera branca
de ponta preta
de luz amarela
por mim ficava
É PRECISO DIZER
É PRECISO DIZER que o poema
Não acaba com as guerras
Não faz dos falsos políticos
Homens sérios e honestos
Não alimenta quem tem fome
Não agasalha quem sente frio
Não traz de volta a mulher amada
No entanto
É preciso dizer
Que o poema É NECESSÁRIO
Não acaba com as guerras
Não faz dos falsos políticos
Homens sérios e honestos
Não alimenta quem tem fome
Não agasalha quem sente frio
Não traz de volta a mulher amada
No entanto
É preciso dizer
Que o poema É NECESSÁRIO
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